Rumo ao Amazonas
Depois de seis dias de atividades, a emoção marcou na noite desta sexta-feira a sessão de encerramento da 60ª Reunião Anual da SBPC, que ocorreu na Unicamp. O próximo encontro será justamente na região que foi objeto de cinco núcleos temáticos de discussões no transcorrer do evento – a Amazônia. “Vamos invadir o oeste da linha de Tordesilhas. Os debates instaurados neste encontro serviram de pano de fundo para o que poderemos discutir em Manaus”, afirmou o presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp.
Agradecimentos à Unicamp e o início da preparação para um esforço concentrado para 2009 na reunião a ser realizada na capital amazonense marcaram a solenidade. “Vamos com o intuito de unir forças para alavancar o crescimento daquela região. Temos um desafio, e a SBPC não está alheia a ele”, destacou Raupp.
O reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, salientou que a ciência brasileira avançou nestes dias pela qualidade das apresentações e a intensidade do debate travado nas conferências, mesas-redondas e simpósios que integraram a programação científica. Segundo Tadeu Jorge, “a ciência, a tecnologia e a inovação receberam um novo impulso”. Ressaltou ainda o orgulho de a Unicamp ter tido a oportunidade de sediar o maior evento da ciência no país e estar no centro das atenções durante a semana. O reitor também fez questão de mencionar o esforço dos professores Eduardo Guimarães e Marcelo Knobel, que coordenaram os trabalhos em Campinas. “Eu sabia que não teria nenhum problema ao deixar a coordenação do evento a cargo de um lingüista e de um físico”, brincou.
O secretário da SBPC, Aldo Malavasi, destacou o profissionalismo que encontrou na Universidade. Ele acrescentou que, em seu balanço, as atividades transcorreram tranqüilamente. “Ficou evidente o envolvimento de funcionários e de professores, assim como da equipe de organização da SBPC”.
Para encerrar, o presidente da SBPC manifestou o apoio aos projetos de investimentos em pesquisa feitos pelo governador do Amazonas, Carlos Eduardo de Souza Braga. Raupp fez menção à importância de se usar a criatividade para desenvolver pesquisas que tenham aplicação social naquela região. Também destacou as iniciativas de convocar para o debate os países que também compõem a Amazônia no próximo encontro. “Podemos prestar grande contribuição. E é com este espírito que iremos para Manaus. O mundo não nos perdoará se não fizermos nada pela Amazônia”, finalizou.
Governador veste a camisa da SBPC
Sob o terno, o governador do Estado do Amazonas, Carlos Eduardo de Souza Braga, vestia a camiseta da SBPC 2009, que acontecerá em Manaus. Sua roupa já dava pistas do tom da palestra que proferiu na noite desta sexta-feira (18), no Centro de Convenções da Unicamp, no encerramento da 60ª Reunião Anual da SBPC. Braga procurou mostrou as principais ações implementadas no âmbito da ciência e tecnologia (C&T) em seu governo. No escopo do conjunto de medidas, desenvolvimento econômico e tecnológico associado à preservação da Amazônia.
“Muitos Estados da Federação têm sérios problemas de desmatamento da Amazônia legal. Mas o Amazonas possui 98% da suas matas preservadas”, afirma Braga. Isso se deve, segundo ele, a um modelo de política de incentivo fiscal não-poluente ou agressiva ao meio ambiente. “Falo principalmente do pólo industrial da Zona Franca de Manaus”.
Braga afirmou que o Amazonas possui uma política estruturada de C&T, com instituições totalmente financiadas pelo governo estadual. Os destaques, segundo o governador, são a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que conta atualmente com 129 mil alunos, e a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), que ao longo de 2008 terá à disposição mais da metade do orçamento estadual destinado à C&T.
Segundo Braga, muitas iniciativas estão sendo implementadas no Amazonas para solucionar um dos mais graves problemas da região, que é a falta de mão-de-obra qualificada. Apesar disso, Braga salientou que duas áreas do conhecimento continuam problemáticas. “Faltam médicos e engenheiros. Em muitas cidades, a demanda por médicos precisa ser atendida com a contratação de profissionais estrangeiros que nem CRM possuem. Já quem almeja se formar em engenharia, precisa sair do Amazonas para estudar em universidades de outros Estados”, afirmou.
Além da mão-de-obra, conhecimento da floresta e inovação tecnológica também são contemplados pelas ações de seu governo, segundo Braga. Como no resto do Brasil, os políticos da região Amazônica voltam seus olhos para o incentivo de pesquisas nas empresas. Quanto ao homem da mata, Braga falou sobre o programa Bolsa-floresta, que paga 600 reais por ano para 8.500 famílias que moram em áreas de conservação ambiental. O objetivo é evitar que essas pessoas degradem o meio ambiente. “É pouco dinheiro para alguns, mas para quem não tem nada é a oportunidade de comprar combustível, sal e outros mantimentos que não são produzidas na região”.
Próximo ao fim de sua fala, o governador mostrou sua indignação com aqueles que vêem o Amazonas exclusivamente como uma floresta a ser preservada. “Tem gente que quer transformar a Amazônia em um santuário. Essas pessoas ignoram que, dessa forma, 30 milhões de pessoas morrerão de fome ou virão para São Paulo, onde o destino delas pode ser uma ponta de bala ou a prisão”.
(Luiz Paulo Juttel)
Fotos: Antônio Scarpinetti e Álvaro Kassab (Rio Juruá, Eirunepé, Amazonas)
Imagem da capa do Portal: Luís Paulo Silva
Edição de imagens: Hélio Costa Júnior
Vencedores do Cientistas de Amanhã
Flávio Araújo Marques, do município de Miranda, Mato Grosso do Sul, foi o ganhador do 51º Concurso Cientistas de Amanhã, com o trabalho “Teste de disponibilização da produção do biodiesel para pequenos produtores de forma artesanal através de gordura animal”. O ganhador foi anunciado no início da cerimônia de encerramento da 60ª Reunião Anual da SBPC. “Não consigo acreditar. É algo indescritível. Estou muito emocionado”. Flávio, de 17 anos, está no último ano do curso técnico de Agropecuária da Escola Bodoquena da Fundação Bradesco. Ele terá o direito de conhecer, juntamente com seu orientador, Marcelo de Carvalho Lorenzini, o Museu de Ciências de Barcelona, na Argentina.
Os outros ganhadores foram Aline Froes, Guilherme Henrique Martins, Júlia Carvalho, Ana Cláudia Cassanti e Flávio Araújo Marques. Cada um deles recebeu como prêmio uma viagem a Brasília. O objetivo do prêmio, segundo a coordenadora Eda Tassara, é estimular a iniciação científica de crianças e adolescentes. O concurso é organizado pelo Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (Ibecc) em parceria com a Unesco.
Flávio Marques acredita que o prêmio será um estímulo para prosseguir na carreira científica. “Eu já estava animado, agora fiquei mais ainda”, destaca o vencedor, que pretende dar continuidade ao estudo da receita para o biodiesel que desenvolveu. Segundo seu orientador, professor Marcelo Lorenzini, além de extremamente criativo, o projeto de Marques será aplicado na própria escola, que adota o regime de internato. Pelos cálculos do professor, a produção será de 10 mil litros por ano de combustível a ser utilizado em sete tratores e três caminhonetes da escola. “O projeto pode ser adotado por pequenos produtores da região, mas já estamos viabilizando a sua aplicação na escola, pois o abate de frango é realizado três vezes ao ano, e seus resíduos são destinados à compostagem. Flávio desenvolveu um método que derrete a gordura animal, transformando-a em biodiesel”, destaca Lorenzini.
São os seguintes os demais trabalhos premiados:
Microbiologia Democrática - das gêmeas Ana Cláudia e Ana Clara Cassanti – Trata do ensino da microbiologia a partir de experimentos e jogos para escolas que não possuem laboratório.
Parâmetros analisados da água de Londrina após a utilização e tratamento de esgoto - Júlia Carvalho (Londrina) – Análise de parâmetros e conscientização da importância dos rios. Integra o projeto da prefeitura de Londrina “O rio da minha rua”.
Estudo da atividade antimicrobiana in vitro do látex de aveloz, de Guilherme Martins (Paraná) – Trata da inibição da proliferação de uma bactéria que causa a infecção hospitalar e pneumonia
Estudo comparativo entre o teste da régua e o MTR-S na medição do tempo de reação simples a estímulos visuais em adolescentes-Aline Fores (Rio Claro) – Método mede de forma prática o tempo de reação de uma pessoa.
18 Jul 2008 rcosta comments off




















