Não adianta ser o melhor. É preciso ser diferente
O engenheiro José Antonio Fernandes Martins, da empresa Marcopolo, foi o conferencista do tema “Além do Tecnológico: As Dimensões Culturais e Sociais da Inovação”, hoje (16) pela manhã, no auditório do Instituto de Química da Unicamp. A Marcopolo, com sede em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, é uma empresa brasileira fundada em 1949. Hoje é a maior fabricante de ônibus no mundo, com 13 mil funcionários em diversos países. “Inventamos e inovamos sempre”, afirmou Martins, dando a receita do sucesso.
Martins expôs durante a conferência o que, para ele, é a melhor definição sobre inovação: “Inovar não é apenas falar sobre invenção técnica. Inovação é perseguir as oportunidades de novos negócios radicais, criando produtos diferentes, explorando novas tecnologias e potencializando rupturas com aquilo que é tradicionalmente conhecido”. Ele explicou que inovação não está apenas na tecnologia que é desenvolvida, mas também no design e processo de fabricação do produto, no marketing para comercialização, na escolha dos canais de distribuição, no atendimento ao cliente e até nos sistemas de cobrança. “Não adianta ser melhor que o concorrente, é preciso ser diferente”.
O apresentador Evandro Mirra de Paula e Silva, da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), abriu a conferência afirmando que o Brasil ainda precisa evoluir muito em inovação, descobrindo qual é o seu papel para inserção positiva no mercado mundial.
Segundo Martins, as empresas precisam saber que a inovação é o único caminho para o crescimento, uma necessidade. “Se não inovar, quebra. Não é possível aumentar receitas, sem inovar, sem criar novos produtos e serviços que atraiam novos clientes”, falou o engenheiro. Ele deu o exemplo da empresa japonesa DoCoMo, que inventou os primeiros celulares com acesso à internet. Com essa inovação, a empresa conseguiu novos 30 milhões de clientes em apenas 30 meses. “A DoCoMo não fez um novo telefone, ela simplesmente inovou”, concluiu.
O conferencista criticou uma prática que muitas empresas adotam em momentos de crise: o corte de gastos que tira o fôlego da competitividade. Na opinião de Martins, o melhor a fazer em momentos de crise é adotar posturas radicais, com idéias radicais. Ele citou a Rolex, que tem o seguinte slogan para atuar no mercado sempre inovando: “Os idiotas vendem um relógio Rolex. Os gênios vendem o estilo de vida Rolex”.
Foi destacada a necessidade de serem fortalecidas parcerias entre universidades e empresas para a busca da inovação tecnológica. Segundo Martins, a Marcopolo tem parcerias com as Universidades de Caxias do Sul e Universidade Federal do Rio Grande do Sul para a fabricação de linhas especiais de ônibus.
Antes do início da conferência, a fala do presidente da SBPC, Marco Antônio Raupp, resumiu as intenções da Sociedade com a criação do Núcleo Conhecimento, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica, dentro da 60º Reunião: “A SBPC quer incentivar cada vez mais o fortalecimento das empresas brasileiras na área de inovação para que elas possam competir no mercado internacional. Nas próximas reuniões haverá cada vez mais ênfase nessa temática”.
16 Jul 2008 rcosta
Comente este artigo:
You must be logged in to post a comment.